Palavra do Editor - Agosto de 2017

Nossa sugestão de leitura para o mês de agosto de 2017 foi Não vou mais lavar os pratos, de Cristiane Sobral.

O livro já chamou a atenção antes mesmo de ser aberto, pois o título, que traz o nome do primeiro texto, desperta curiosidade. Trata-se de um mergulho no período da escravidão, mostrando algo do nosso cotidiano por um olhar diferente. Não lavar os pratos, neste caso, representa a Lei Áurea e a liberdade diante do trabalho obrigatório.

Posso dizer que é uma obra que foge da mesmice. Cada poesia tem tema e contexto. As rimas trazem construções divertidas. Encontramos, em cada verso, uma análise do enigmático cenário apresentado na poesia. 

Temas do dia a dia e da vida íntima ganham destaque, como fazer brigadeiro ou até mesmo usar o cabelo Black. A apresentação escrita por Nicolas Behr também desperta o desejo de prosseguir a leitura cheia de críticas sociais. A obra, que é indicada para todos os tipos de públicos, traz fortes reflexões da atualidade, como o trecho: "Ainda não somos livres / Favela é senzala". 

Sugestão de leitura para o mês de agosto de 2017

Livro: Não vou mais lavar os pratos
Autor: Cristiane Sobral
Gênero: Poesia

Sinopse: Esta obra traz textos como - 'Não vou mais lavar os pratos'; 'Sonho de consumo'; 'Infinitamente provisório'; 'Brasília'; 'Porto 6'; 'Malick Jorge'; 'Opção'; 'Caminhos'; 'Nzingas guerreiras'; 'O preço de uma escolha'; 'Desafio'; 'Na estrada'; 'Eva'; 'Materna idade'; 'Abrúptero'; 'Declaração'; 'Faveiros'; 'Descompasso'; 'Fé Raciocinada', entre outros.

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Palavra do Editor - Julho de 2017

Nossa sugestão de leitura para o mês de julho de 2017 foi Jardim de Poesia, de Gacy Simas.

Para começar, a escritora tem mais de 15 livros publicados e um forte trabalho voltado para a educação e literatura. Enfim, ela respira literatura diariamente.

Avaliando a vida da autora, fica fácil entender a linguagem poética contida no livro. Primeiro, ela é contadora de histórias. É nítida a utilização de figuras de linguagem para estimular o imaginário. O livro tem ilustrações, mas os textos por si só já te fazem fechar os olhos e ver "um jardim de poesia" pela janela da vida.

Segundo, ela é formada em filosofia. Sim, esse é um livro com poesias infantojuvenis, mas que traz versos para pensar e sonhar mais alto. Isso fica visível em textos como o "Vida de caveira", que brinca com a reflexão de um esqueleto em seu cotidiano pós-morte. Sem preocupações estéticas ou com a "roupa da moda", a poesia mostra que todos somos iguais (ossos com o mesmo destino) e destaca em seus versos: "Todo o mundo / vai virar caveira!".

Outros assuntos, como sonhos, efeitos climáticos, períodos do dia, cores e alimentação são pincelados nessa obra, que, apesar de ter rimas mais simples, traz musicalidade por conta do posicionamento dos versos, já que não seguem a alinhamento tradicional e padrão.

A obra literária recebeu apoio do Fundo de Arte e Cultura (FAC) e ganhou ilustrações da Elison. É um livro para ler com fantasia. Indico a obra para todas as crianças, tenham elas menos de 15 anos ou mais de 40 anos. Se você não se esqueceu da criança que existe em você, experimente ler para o público mirim e degustar o universo dos contadores de histórias.

Sugestão de leitura para o mês de julho de 2017

Livro: Jardim de Poesia
Autor: Gacy Simas
Gênero: Poesia

Sinopse: Coletânea de poemas que refletem a vivência, a ludicidade e as experiências infantis. Cada um dos poemas expressa uma realidade, um conhecimento ou até mesmo uma preocupação do mundo infanto-juvenil. A preocupação com o crescimento, a relação com a vida e a morte, os jogos, o tempo, o clima, são abordados de maneira simples e atrativa nas rimas destes poemas.

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Palavra do Editor - Junho de 2017

Nossa sugestão de leitura para o mês de junho de 2017 foi Quatro Décadas de Lua Minguante, de Elvis Silva Magalhães.

Para começar, esqueça o conceito tradicional de biografia. Nesta obra, tudo é apresentado em forma de literatura, como crônicas que se encaixam e conduzem com maestria a história. A riqueza de detalhes te envolve com tamanha delicadeza que é possível vivenciar a narração e sentir na pele o que é ter doença falciforme.

O título do livro já descreve a trama do livro: foram quatro décadas de luta contra a doença, que é uma doença genética e hereditária, caracterizada por uma alteração anatômica nos glóbulos vermelhos, que ficam em formato de foice (daí o "lua minguante" que nomeia a obra).

Apesar de contar detalhes sobre todo o sofrimento real do autor, o Elvis conseguiu narrar de uma forma tão interessante que a história ficou longe de ser um drama. Pelo contrário, tudo faz refletir sobre o valor da vida e sobre a importância de não desistir nunca.

O livro também traz muitas curiosidades históricas, já que o autor presenciou o crescimento do Distrito Federal e momentos marcantes, como o último show do Legião Urbana e o cenário hospitalar da época (bem precária e com tecnologia limitada).

Muito interessante conhecer a história do "Elvis adolescente", com todas as dificuldades da doença e com as estripulias de um garoto normal. Cada capítulo descreve fatos ligados a vida dele com linguagem bem divertida (como quando descreve o início do namoro) ou mais emocionante (como quando conta sobre a morte da irmã e sentimento da mãe ao ver a filha morrendo em seus braços). Tudo conduzido de uma maneira tão encantadora que não há como começar a ler e não se encantar.

Depois de "quatro décadas de lua minguante", surge o renascimento. Outro momento muito forte do livro. No fim, é impressionante perceber que não se trata de um livro de ficção e que muitas pessoas passam pelo mesmo que ele passou. O final feliz traz a esperança, não só para quem tem a doença, mas para todos que respiram e esquecem de agradecer pela saúde. Indico esta obra para todos os tipos de público.

Sugestão de leitura para o mês de junho de 2017

Livro: Quatro Décadas de Lua Minguante
Autor: Elvis Silva Magalhães
Gênero: Biografias e Memórias

Sinopse: Em 1910, na cidade de Chicago - USA, o doutor James Bryan Herrick (1861-1954) descreveu pela primeira vez uma doença em que as células vermelhas do sangue tinham formato de meia lua. Para explicar melhor, o Dr. Herrick utilizou-se da comparação com uma ferramenta muito comum da época. Daí surgiu a expressão 'anemia das células em forma de foice' ou 'anemia falciforme'. Quase 100 anos se passaram (2005) até que o autor fosse submetido a um transplante de medula óssea, tornando se o segundo brasileiro a ter sua trajetória de dores e hospitalizações modificada. A partir daí, a esperança se renova. Este livro é um relato autobiográfico que reverencia a vida, a amizade e o amor.

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Palavra do Editor - Maio de 2017

Nossa sugestão de leitura para o mês de maio de 2017 foi O homem que não teimava, de Bariani Ortencio.

O livro é curtíssimo, com menos de 100 páginas, e conta por meio de pequenos textos a história de Vicente Carvalho, que é um caboclo sabido digno de ser chamado de caipira brasileiro.

Em sua simplicidade, Vicente depara com diversas situações inusitadas e sempre tem uma resposta sagaz na ponta da língua, saindo sempre por cima.

O livro mostra que ele é metade mineiro e metade goiano. O motivo é explicado pelo próprio personagem em um dos textos: "Uai, eu quando vim de Minas pesava 30 quilos e agora estou pesando 60".

As histórias são narradas como as tradicionais piadas de caipira e, em grande parte delas, arrancam risadas. Os personagens também têm características marcantes e divertem. No fim, trata-se de uma leitura leve e voltada para o público infantojuvenil e juvenil. 

Além disso, o livro é ilustrado pelo Sérgio Palmiro, que conseguiu trazer o sorriso irônico do caipira de forma sensacional. Não é a toa que o livro está na sexta edição. 

Enfim, indico para todos os leitores que gostam de se divertir.